domingo, 2 de julho de 2017

Tudo começa pelo fim

Nosso relacionamento começou há 20 anos atrás. Eu era jovem, e achava lindo tê-lo por perto. Meus amigos na época também achavam e isso me deixava mais empolgada ainda. Aquela coisa de adolescente, sabe? Isso de alguma forma me enturmava, me deixava fazer parte. Mas não foi por influência não, se fosse eu diria. Eu achava bonito realmente e a decisão foi minha, somente minha.

Nesses 20 anos eu pude viver com ele, momentos de alegria, tristeza, comemorações, lutos e perdas, amores e desamores, infinitas coisas e sentimentos. Ele sempre foi aquele meu relacionamento seguro, a hora que eu precisasse ele estaria ali, pronto para me fazer companhia, a qualquer hora, momento ou lugar. Ele era minha rota de fuga, meu desabafo, meu consolo, meu amuleto, minha segurança, era parte de mim.

Eu sempre fui, sou até hoje, do tipo que prefere se arrepender do que fez e não do que não fez. E assim eu optei em viver com ele, e vivi esses longos 20 anos. Mas hoje, sinceramente, talvez essa seja a única coisa da qual eu realmente me arrependa de ter optado em viver.
Por várias vezes ao longo desse tempo eu pensei em deixa-lo, até porque por muitos momentos eu não entendia o motivo e a razão pela qual eu o mantinha. Ele era apenas uma companhia, nada mais que isso. Benefícios mesmo? Nenhum. Mas de alguma forma eu gostava de tê-lo por perto, e gostava mesmo, de verdade. Era aquele gostar sem saber porque, e que fazia questão de não entender. Eu gostava e ponto!

Desde o início minha família e alguns amigos odiavam a ideia de eu tê-lo sempre por perto, me davam sermões imensos, exemplos de outras pessoas e mesmo assim eu o achava tão parte de mim, gostava tanto que não pensava na possibilidade de larga-lo.
E assim se passaram 20 anos! 20 anos é uma vida! Vida essa que vivi intensamente com ele ao meu lado.

Há poucos meses atrás, a vida me mostrou de uma forma não muito agradável, que se não cuidarmos de nós mesmos, ninguém fará. Como a vida fez isso não vem ao caso agora, mas isso me fez olhar mais para mim no sentido de me cuidar, me cuidar por inteira. Me fez querer viver a vida intensamente, cada minuto que me fora dado, eu me sentia renascida. E aos 33 anos, acredito que pela primeira vez, voltei os meus olhos para mim e comecei a analisar onde eu estava, como eu estava, onde eu queria chegar e como iria chegar. Mas no meio de tudo isso eu tinha ele ao meu lado, e aos poucos eu fui vendo que ele não teria mais espaço em minha vida, eu não conseguiria carrega-lo mais comigo e eu teria que deixa-lo.

Foi difícil para mim assumir para mim mesma que eu me despediria dele, que depois de 20 anos ele deixaria de estar comigo a todo momento e cada sentimento, sendo bom ou ruim. Mas da mesma forma que decidi ter sua companhia, decidi não ter mais. E para ser mais exata no dia 01 de junho de 2017, eu tomei a decisão, ele sairia de minha vida de uma vez por todas e nada nem ninguém tiraria essa ideia de minha mente, a minha determinação era maior do que tudo e assim eu largaria ele, O CIGARRO, eu iria parar de fumar.


A partir de agora eu precisava pensar em como e de que forma eu faria isso, já que esse relacionamento foi duradouro e com poucas decepções eu confesso. Seus males são ocultos e isso dificulta ainda mais o fim.

A forma como me dirijo ao cigarro, meio romântica talvez, pode assustar algumas pessoas, eu entendo. Mas essa é a forma como eu sinto, e é dessa forma que vou encarar, como o término de um relacionamento intenso, verdadeiro e masoquista talvez. Foi a forma que arrumei para encarar e passar por isso. Quem já sofreu o término de um grande amor sabe o quanto é difícil acreditar que o relacionamento acabou, até que ele acabe realmente e a dor que fica depois ainda por um tempo. E por já ter passado por isso algumas vezes, talvez eu encaixando esse tubinho branquelo e maldito como um relacionamento que não deu certo, seja um pouquinho mais fácil de aceitar e elaborar o luto!

Exagero? Não! É o que senti ao decidir e o que sinto enquanto passo por esse processo, que só quem já passou sabe do que estou falando.

Eu optei em parar de forma gradativa, ir me desintoxicando aos poucos e durante o processo irei compartilhar a minha experiência para que isso me dê forças, me traga apoio e quem sabe de forças para quem hoje se relaciona quem esse tubinho branquelo fedorento largar dele também!
Ah! E se for para julgar, duvidar ou algo assim, nem se dê ao trabalho! A minha determinação é e será mais forte do que seu ego de se achar Deus para julgar a mim ou a quem quer que seja!

No próximo post, falarei o que me levou a decidir largar, os sentimentos, e tudo o que veio junto com a decisão.


Desde já o meu muitíssimo obrigada as pessoas que estão ao meu lado no dia a dia, me apoiando e comemorando cada minuto adiado, ou até mesmo cada cigarro a menos que fumo, e também aguentando minhas lamúrias e sofrimentos dessa etapa, principalmente minha mãe que a cada dia me motiva e mostra acreditar que o fim desse fedor está próximo! Obrigada!


2 comentários:

  1. Ahhhhh minha linda, quanto orgulho de você e saiba que independente do final dessa história, o mais incrível vc ja conquistou agora: se amar e lutar de vdd por um objetivo!!!

    Saiba que assim como eu, existem varias pessoas torcendo por voce de olhos fechados e braços elevados ao céu ��‍♀️��‍♂️

    Parabéns e ja deu certo ❤

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