Nosso relacionamento começou há 20 anos atrás. Eu era jovem,
e achava lindo tê-lo por perto. Meus amigos na época também achavam e isso me deixava
mais empolgada ainda. Aquela coisa de adolescente, sabe? Isso de alguma forma
me enturmava, me deixava fazer parte. Mas não foi por influência não, se fosse
eu diria. Eu achava bonito realmente e a decisão foi minha, somente minha.
Nesses 20 anos eu pude viver com ele, momentos de alegria,
tristeza, comemorações, lutos e perdas, amores e desamores, infinitas coisas e
sentimentos. Ele sempre foi aquele meu relacionamento seguro, a hora que eu
precisasse ele estaria ali, pronto para me fazer companhia, a qualquer hora,
momento ou lugar. Ele era minha rota de fuga, meu desabafo, meu consolo, meu
amuleto, minha segurança, era parte de mim.
Eu sempre fui, sou até hoje, do tipo que prefere se
arrepender do que fez e não do que não fez. E assim eu optei em viver com ele, e
vivi esses longos 20 anos. Mas hoje, sinceramente, talvez essa seja a única
coisa da qual eu realmente me arrependa de ter optado em viver.
Por várias vezes ao longo desse tempo eu pensei em deixa-lo,
até porque por muitos momentos eu não entendia o motivo e a razão pela qual eu
o mantinha. Ele era apenas uma companhia, nada mais que isso. Benefícios mesmo?
Nenhum. Mas de alguma forma eu gostava de tê-lo por perto, e gostava mesmo, de
verdade. Era aquele gostar sem saber porque, e que fazia questão de não
entender. Eu gostava e ponto!
Desde o início minha família e alguns amigos odiavam a ideia
de eu tê-lo sempre por perto, me davam sermões imensos, exemplos de outras
pessoas e mesmo assim eu o achava tão parte de mim, gostava tanto que não
pensava na possibilidade de larga-lo.
E assim se passaram 20 anos! 20 anos é uma vida! Vida essa
que vivi intensamente com ele ao meu lado.
Há poucos meses atrás, a vida me mostrou de uma forma não
muito agradável, que se não cuidarmos de nós mesmos, ninguém fará. Como a vida
fez isso não vem ao caso agora, mas isso me fez olhar mais para mim no sentido
de me cuidar, me cuidar por inteira. Me fez querer viver a vida intensamente,
cada minuto que me fora dado, eu me sentia renascida. E aos 33 anos, acredito
que pela primeira vez, voltei os meus olhos para mim e comecei a analisar onde
eu estava, como eu estava, onde eu queria chegar e como iria chegar. Mas no
meio de tudo isso eu tinha ele ao meu lado, e aos poucos eu fui vendo que ele
não teria mais espaço em minha vida, eu não conseguiria carrega-lo mais comigo
e eu teria que deixa-lo.
Foi difícil para mim assumir para mim mesma que eu me
despediria dele, que depois de 20 anos ele deixaria de estar comigo a todo
momento e cada sentimento, sendo bom ou ruim. Mas da mesma forma que decidi ter
sua companhia, decidi não ter mais. E para ser mais exata no dia 01 de junho de
2017, eu tomei a decisão, ele sairia de minha vida de uma vez por todas e nada
nem ninguém tiraria essa ideia de minha mente, a minha determinação era maior
do que tudo e assim eu largaria ele, O CIGARRO, eu iria parar de fumar.
A partir de agora eu precisava pensar em como e de que forma
eu faria isso, já que esse relacionamento foi duradouro e com poucas decepções
eu confesso. Seus males são ocultos e isso dificulta ainda mais o fim.
A forma como me dirijo ao cigarro, meio romântica talvez,
pode assustar algumas pessoas, eu entendo. Mas essa é a forma como eu sinto, e
é dessa forma que vou encarar, como o término de um relacionamento intenso,
verdadeiro e masoquista talvez. Foi a forma que arrumei para encarar e passar
por isso. Quem já sofreu o término de um grande amor sabe o quanto é difícil acreditar
que o relacionamento acabou, até que ele acabe realmente e a dor que fica
depois ainda por um tempo. E por já ter passado por isso algumas vezes, talvez
eu encaixando esse tubinho branquelo e maldito como um relacionamento que não
deu certo, seja um pouquinho mais fácil de aceitar e elaborar o luto!
Exagero? Não! É o que senti ao decidir e o que sinto
enquanto passo por esse processo, que só quem já passou sabe do que estou
falando.
Eu optei em parar de forma gradativa, ir me desintoxicando
aos poucos e durante o processo irei compartilhar a minha experiência para que
isso me dê forças, me traga apoio e quem sabe de forças para quem hoje se
relaciona quem esse tubinho branquelo fedorento largar dele também!
Ah! E se for para julgar, duvidar ou algo assim, nem se dê
ao trabalho! A minha determinação é e será mais forte do que seu ego de se
achar Deus para julgar a mim ou a quem quer que seja!
No próximo post, falarei o que me levou a decidir largar, os
sentimentos, e tudo o que veio junto com a decisão.
Desde já o meu muitíssimo obrigada as pessoas que estão ao
meu lado no dia a dia, me apoiando e comemorando cada minuto adiado, ou até
mesmo cada cigarro a menos que fumo, e também aguentando minhas lamúrias e
sofrimentos dessa etapa, principalmente minha mãe que a cada dia me motiva e
mostra acreditar que o fim desse fedor está próximo! Obrigada!


Ahhhhh minha linda, quanto orgulho de você e saiba que independente do final dessa história, o mais incrível vc ja conquistou agora: se amar e lutar de vdd por um objetivo!!!
ResponderExcluirSaiba que assim como eu, existem varias pessoas torcendo por voce de olhos fechados e braços elevados ao céu ��♀️��♂️
Parabéns e ja deu certo ❤
Sensacional
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